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Um Longo Caminho Para Casa, de Danielle Steel

Fonte: Autoria própria.

Gabriella chorou até dormir, quando a noite caia, sem jantar, e, enquanto mergulhava no sono, sentindo o rosto doer e a coxa latejar no ponto onde a mãe a chutara, tentou pensar em outros lugares, em outras coisas... um jardim... ou um parque... com pessoas felizes... e crianças rindo enquanto brincavam... todos brincavam e queriam que ela brincasse com eles... uma mulher alta e bonita vinha em sua direção, estendia os braços para ela e lhe dizia que a amava... Era a sensação mais maravilhosa do mundo e, enquanto pensava mergulhou no sono, abraçada à boneca. Página: 20.

Quando li a premissa de “Um Longo Caminho Para Casa”, da autora Danielle Steel, fiquei curioso. Afinal, gosto de dramas que envolvem conflitos familiares e, pelo que entendi, esse era o foco do livro. Porém, a leitura me surpreendeu bastante no início, pois me deparei com algo muito além das minhas expectativas. É que a história se passaria não só em um tempo, mas sim durante as inúmeras fases da vida da protagonista, e ela se mostrou uma personagem forte e única. A autora também me passou segurança desde a primeira página, com sua escrita bastante fluída, ágil, envolvente e rica.


Escrever era sua única fuga, o único meio de sobrevivência. Era uma trégua num mundo cruel, embora aparentemente confortável. Gabriella sabia melhor que ninguém que nem o lugar onde morava nem o tamanho da conta bancária do pai ou a distinção da família de seus pais protegiam-na do tipo de realidade que constituía o pesadelo de outras pessoas. A elegância da mãe, as jóias que usava e as roupas bonitas penduradas no seu próprio closet nada significavam para Gabriella. Ela conhecia o sentindo da vida melhor do que a maioria das pessoas, e também as amargas contradições da sua própria vida. Muito cedo Gabriella compreendera o que era importante e o que não era. O amor representava tudo para ela. Sonhava com ele e, sobre ele, pensava e escrevia. O amor era o que lhe havia escapado completamente na vida. Páginas: 51 e 52.

O livro começa contando a história de Gabriella, que apesar da pouca idade, é submetida por sua mãe a terríveis castigos e maus tratos. A garota acredita ser culpada por algo, mesmo sem saber ao certo do que se trata, já que ouve diariamente sua mãe dizendo que ela é uma menina má. O pai, por sua vez, não toma nenhum posicionamento: diz amar a filha, se sente enojado com as ações da esposa, mas prefere ignorar tudo aquilo, principalmente a dor presente nos olhos da adorável menina.


Deus fala conosco o mais alto possível, para que O escutemos. Página: 98.

Alguns anos se passam na vida da garota e o pai a abandona, demonstrando o quanto é egoísta e sem coração. Infelizmente, Gabbie continua morando com a mãe, sendo submetida aos castigos e maus-tratos, que passam a ser cada vez mais intensos.


A verdade é que Gabriella não tinha orgulho, apenas adorava escrever. Nunca estava totalmente segura de que alguém fosse apreciar os seus textos; estes eram apenas uma janela através da qual sua alma podia espreitar, uma estrada que viajava com desembaraço, sem nunca pensar a respeito. Página: 124.

Como o destino é incerto, a mãe da menina também a abandona num convento (o que me pareceu a ação mais sensata dessa mulher má e sem escrúpulos). Esse passa a ser o lugar onde Gabbie vive o restante de sua infância, adolescência e inicio da fase adulta. É lá onde ela descobre o verdadeiro significado do amor, pois as freiras acolhem-na como uma filha. Mas não demora muito para novos momentos dramáticos surgirem em sua vida, como por exemplo: o amor proibido entre a garota e um jovem sacerdote, que tem como consequência sua saída do convento.  Gabriela descobre então o mundo real e como ele pode ser cruel.


 Apesar de sua timidez habitual com as pessoas que não faziam parte de seu mundo, sentia-se muito à vontade com ele, o que a surpreendeu. Página: 128.

Vale ressaltar que a escrita da autora é em terceira pessoa, e eu já tive muitos problemas com livros narrados assim. Normalmente esse tipo de leitura distancia o leitor dos personagens, contudo, obras como “Um Longo Caminho Para Casa” me fazem perceber que não é bem assim: depende muito de como o autor conduz a história, como detalha as características e sentimentos presentes nos personagens. Danielle Steel consegue fazer uma excelente conexão entre o leitor, personagens e até mesmo os lugares presentes na obra.  Muitas vezes tive a sensação de que estava totalmente inserido à história, como um figurante do qual não é mencionado, mas que está ali conferindo tudo e ao mesmo tempo não pode interferir ou mudar nada.


O ato de escrever sempre liberava alguma coisa em seu íntimo. Era como se não fosse ela própria escrevendo, mas um espírito que atuasse através dela. Não tinha  a menor consciência de sua própria importância ao escrever. Sentia-se, pelo contrário, como se não não existisse; como se fosse um vidro através do qual outro espírito viesse espreitar. Página: 143.

“Um Longo Caminho Para Casa” é um livro extremamente tocante, muito bem escrito e nos faz sentir na pele as vivências da personagem principal. É impossível não adquirir admiração por Gabbie e pela força que ela possui, mesmo quando se diz frágil. 
Os demais protagonistas também me despertaram inúmeros sentimentos: destaque para os pais da jovem, que se mostraram péssimos, além de me deixaram muitas vezes revoltado e chocado com suas ações; Madre Gregoria se tornou referência de amor e esperança para a jovem, além de outros personagens que surgiram com o passar das páginas e deixaram suas marcas não só na vida de Gabbie, mas na minha também.


 - Na verdade, o amor é bastante violento - prosseguiu ele. - Às vezes é tão doloroso, tão devastador. Não há nada pior. Ou melhor. Descobri que altos e baixos são igualmente insuportáveis. Por outro lado, a ausência deles é ainda mais. Página: 241.

Apesar de este livro ser antigo (1998), ele possui uma mensagem muito atual: “Um Longo Caminho Para Casa” fala sobre as brutalidades que Gabriella passou nas mãos dos pais, e que infelizmente muitas crianças no mundo real também vivenciam. Espero, sinceramente, que esse assunto um dia se torne presente apenas na ficção.
- Quase tudo na vida é complicado, não é? É uma pena que tenha de ser assim. Às vezes parece que nada pode ser pior. Página: 267.

Enfim... Recomendo muito esse livro para quem, assim como eu, gosta de histórias com alto grau de dramaticidade, seja bem escrito e que emociona de forma extrema. 


Título: Um Longo Caminho Para Casa. 
Autor(a): Danielle Steel.
Gênero: Romance, drama.
Ano: 1998 (esta edição.)
Editora: Record, Altaya. 
Número de Páginas: 370.
Avaliação: 5/0

19 comentários:

  1. Ótima resenha. Aumentou ainda mais a minha curiosidade em ler o livro. Parabéns 👏👏👏👏

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  2. OOOOOOI

    só pela sua resenha eu senti a densidade desse livro. Essa narração que vai acompanhando vários tempos e mostra a vida da personagem dessa maneira nua é interessante, mas, como você disse, tocante. Me parece tocante de um jeito meio hard, mas eu leria sim :B

    beijo
    beinghellz.com

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  3. Gostei bastante da resenha. Eu também tenho um pé atrás com livros narrados em terceira pessoa. Gosto mais de em primeira pessoa. Mas queria conferir esse livro para perceber como é a narração.
    Bom final de semana!

    O blog JJ está de hiatus, mas tem um texto novo. Não deixe de conferir! O JJ volta em definitivo no dia 01 de fevereiro.

    Jovem Jornalista
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  4. Olá,
    Sou apaixonada por essas edições da Danielle Steel.
    São um clássico, já li livros maravilhosos da autora. Este está na lista.
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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  5. Oi Renato, tudo bem?
    Gosto de enredos dramáticos e emocionantes sim, mas não é leitura pra qualquer momento.
    Nunca li nada da Danielle, aliás ela está na lista de autores que preciso conhecer.
    Mas esse enredo tem uma pegada bem forte, parece muito denso, não me agradou nada saber que tem uma criança sofrendo maus tratos, enquanto tem um adulto(pai) que não faz nada.
    Vou conhecer Danielle, mas acho que vou atrás de algo mais leve rsrsrs.

    Até mais!!
    Leituras da Paty

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  6. Olá,Renato! Tudo bem?

    Sou apaixonada por enredos dramáticos e emocionante que consigam de alguma maneira nos tocar. Ainda não conhecia o trabalho da Danielle, mas após ler sua resenha fiquei curiosa por seu trabalho, vou procurar conhecer mais sobre suas lindas obras.

    Bom fim de semana!

    Beijinhos,

    💞Mundo dos Sonhos

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  7. Renata, parabéns pela resenha!
    Me parece uma leitura interessante. Atraído pela resenha e pela capa! Gosto de intercalar algumas leituras e este me parece um bom drama para ler.

    Att,
    Blog Combo Pop
    http://blogcombopop.com.br/

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  8. Oi, Renato.
    Gostei muito de conhecer "Um Longo Caminho Para Casa", visto que não conhecia a obra.
    Também gosto de livros com uma certa carga dramática, ainda mais quando são tocantes.
    Não vejo muito problema quanto a narração em primeira ou terceira pessoa. Isso depende do livro.
    Por fim, gostei do fato do livro, apesar de ser uma edição antiga, tratar de temas atuais. Acho isso muito importante dentro da literatura.

    Abraço!
    http://tudoonlinevirtual.blogspot.com.br/

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  9. Olá, Renato.
    Diferente de você prefiro terceira pessoa. Não acho que dê uma visão distanciada dos personagens e sim uma visão mais ampla e real da história. Eu li muito Danielle Steel quando estudava porque tinha bastante livros dela na biblioteca. E gostava do que lia. E esse também me interessou bastante. Vou ver com a Olivia se ela tem, porque ela é muito fã da autora.

    Prefácio

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  10. Oi Renato, tudo bem?
    Adorei a resenha! Não conhecia o livro, mas ele parece intenso e interessante. Fiquei curiosa pra saber se a vida da protagonista melhora.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  11. Renato, tem muito tempo que não leio os livros dessa autora! Apesar do drama intenso e triste, parece ser uma história que ensina bastante. Dica mega anotada! =) E. às vezes, me sinto assim lendo: uma figurante que não é mencionada.

    Beijos, Carol
    www.pequenajornalista.com

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  12. Eu já ouvi falar desse livro, parece otimo! Adorei a resenha e sua foto ficou lindaa!
    http://b-uscandosonhos.blogspot.com.br/

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  13. Oi, Renato!
    Eu tive um primeiro contato bem traumatizante com esta autora; odiei outro livro que li dela, e meio que não quis insistir mais, embora tenha um título dela na estante que ainda não li.
    Não conhecia essa história, mas não sei se leria agora. Por mais que você tenha adorado e até citado bons pontos, creio que não seria um momento ideal para me jogar na leitura.
    Mas a dica está anotada. ;)
    Abraço!

    “Palavras ao Vento…”
    http://www.leandro-de-lira.blogspot.com/

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  14. Oi
    que bom que achou tocante a história, nunca li nada da outra mas tenho uma mulher livre que ainda não li, também não curto narração em terceira pessoa, mas como falou depende da autora.

    momentocrivelli.blogspot.com

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  15. Oi, Renato!
    Não conhecia o livro e fiquei curiosa em saber que ele foi lançado no ano em que nasci. Confesso que não gosto muito de histórias pesadas assim, com dramas mais reais, mas fiquei muito feliz por você ter gostado da leitura! Sua resenha está ótima, por sinal :D Beijinhos, Beatriz.

    O Diário de uma Escritora Iniciante

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  16. Eu não acredito que já passei batido por esse livro várias vezes e não comprei. Queria ter lido sua resenha antes, agora que o livro =(
    eu li apenas um livro dela e amei, chama -se O Anel de Noivado, quando puder leia ele, é maravilhoso e muito bem escrito.
    Adorei sua resenha
    Beijuh

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  17. Eu li esse livrooo faz muuiiitoooo tempo! Na época de escola ainda, nem lembrava mais! E ler sua resenha, foi muito bom relembrar, não só pelo livro, mas também na época que tinha lido. Me lembro de ter vontade de dar na cara da mãe de Gabriela.. hahaha! É um livro emocionante! Beijos!

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  18. Oi Renato! Eu não conhecia o livro, muito menos a autora, mas admito ter ficado muito, muito curiosa. Levando em consideração que o principal intuito de uma resenha é instigar outras pessoas a lerem (ou não) o livro resenhado, merece meus parabéns. O tema, como você mesmo disse, é muito atual, e é importante demais que seja escancarado e condenado, afinal, apenas um monstro é capaz de tais coisas. Também torço para que isso se torne apenas ficção um dia. Acho que o que eu mais gostei foi o fato do livro narrar não só uma, mas diversas fases da personagem principal. Só pela resenha já quero matar os pais, imagino quando eu ler o livro! Parece ser incrível o livro. Abraços!


    prateleiradevidro.wordpress.com

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  19. Uau, pela sua resenha, esse livro parece ser realmente bom! Adoro uma leitura com um bom drama e com certeza a obra vai para a minha lista de desejados! Parabéns pela resenha!

    Beijos!

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