Resenha - Extraordinário, de R.J. Palácio (Com spoliers)

Fonte: Editora Intrínseca. 



Escrito por R.J. Palacio, “Extraordinário”, é um drama juvenil de fácil entendimento e envolvimento. O livro conta a história do August Pullman, um garoto de 10 anos que nasceu com uma síndrome genética, cuja sequela é uma severa deformidade em metade do seu rosto. Auggie, como é carinhosamente chamado por seus familiares, nunca frequentou uma escola de verdade, tendo assim, sua mãe como professora; porém, sua mãe acredita que o garoto precisa viver essa experiência, mesmo tendo em mente que isso possa ser bastante complicado e traumático para o tão amado filho.

Apesar do livro possuir um protagonista, o Auggie, e o mesmo narrar boa parte da história, contamos também com a narração de alguns familiares e amigos do garoto, o que torna o enredo muito mais dinâmico, envolvente, emocionante e em certos momentos divertido. Afinal, traz uma visão muito mais global e consequentemente ampla das situações que vão ocorrendo no decorrer da leitura.

Como dito no parágrafo anterior, “Extraordinário” é dividido por visões de personagens específicos, e nas primeiras páginas é o Auggie que mostra seu ponto de vista sobre as coisas que estão acontecendo. E, ele começa a expressar tudo o que sente, seja sobre sua adorável família, sua querida cadela chamada Daisy, seu amor por Star Wars e principalmente sobre sua aparência. É nesse ponto que começamos a perceber a carga emotiva que o livro possui, pois estamos falando de uma criança que lida constantemente com gritos de espantos de outras crianças ao se depararem com ele, ou pior, de adultos que desviam o olhar ou se afastam de sua presença. 

August também demonstra medo, ao tomar conhecimento das ideias de sua mãe, de colocá-lo em um colégio particular de Nova York. Enfim, apesar da pouca idade o garoto sabe o quanto as pessoas podem ser cruéis, e como será complicado fazer com que os futuros colegas o vejam como ele realmente é, além da aparência.

Mesmo diante do medo, Auggie concorda com seus pais e resolve ir conhecer o colégio. Chegando lá, ele é muito bem recebido pelo diretor e por algumas crianças que parecem ter sido chamadas ali, apenas para mostrar para ele todo o local. Desse ponto em diante, o Auggie vai aos poucos criando coragem para concordar com as investidas da mãe, o que demonstra sua maturidade para aceitar os dilemas que a vida o impõe.

As vivências do Auggie no colégio vão sendo narradas pelo mesmo. Em contrapartida, um novo olhar surge no decorrer das páginas, o da Olivia Pullman, ou apenas Via, como os familiares e amigos costumam chamá-la. Via é a única e mais velha irmã do Auggie. E por mais que a Via ame o irmão, ela possui alguns ressentimentos e até mesmo traumas ligados a forma como sua mãe sempre busca suprir primeiro as necessidades do garoto, ao invés das suas. Além de não aguentar mais ser vista como “a irmã da aberração”, “a irmã do garoto que nasceu com uma deformidade, tadinho” ou coisas do tipo. A visão da adolescente chega a ser compreensível em alguns momentos, e também tem que ser colocado em cheque que a mesma passa por uma fase complicada: a adolescência, e tudo o que mais deseja é ser compreendida, amada, entre outras coisas.

Com o passar das páginas outros personagens ganham destaque, como por exemplo, Summer uma das poucas pessoas do colégio que se aproximam sem medo do Auggie (e que explica o porquê resolveu se aproximar do mesmo), ou o Jack Will que aos poucos vai se tornando um dos melhores amigos do garoto. Mas apesar disso, existem outros colegas de classe que não parecem aceitar a presença do Auggie, trazendo à tona o problema da falta de empatia nas pessoas ao não saberem entender e aceitar o novo e diferente.

August Pullman se vê num grande labirinto, em certos momentos ganha motivos positivos para continuar tentando concluir sua missão, já em outros se vê completamente decepcionado com as pessoas e tem vontade de nunca mais precisar conviver com elas. Como pode ser visto, August é só uma criança, diria mais, um ser humano com sentimentos, mas em algumas passagens desse livro ele é só visto por sua aparência, o que não agrada nem um pouco muitos personagens presentes na história. E é esse o ponto crucial de toda a história escrita por Palacio, é nítida a forma como ela busca abrir os olhos de nós, leitores, sobre como agimos diante do diferente, de como aceitamos ou não coisas e pessoas das quais não são aparentemente normais, e vai além ao nos mostrar que essas mesmas coisas e pessoas podem não ser de fato normais ou comuns, mas sim EXTRAORDINÁRIAS.

Sem sombras de dúvidas essa foi uma das mais difíceis resenhas que já escrevi em minha vida. Tentei ao máximo não me envolver (não de uma forma tão extrema e apaixonada) e acho que em boa parte do texto consegui, mas por outro lado seria falso de minha parte não expressar o que senti e sinto em relação a esse livro. Essa não é a primeira vez que leio Extraordinário, mas sim segunda, tendo em vista que a adaptação para o cinema será lançada em 23 de novembro deste ano. Enfim, eu queria trazer meu ponto de vista sobre a obra, mas por outro lado sentia a necessidade de reler o livro para isso, para ter mais acesso aos detalhes que com o passar do tempo esquecemos. Mais uma vez me emocionei, chorei horrores e por fim fiquei com uma sensação boa, sabe… O sentimento que se apodera de mim ao lembrar da história do Auggie é complexo, mas ao mesmo tempo simples de ser explicado: é uma admiração tamanha, seja pela autora por escrever algo tão genuíno, bonito, triste, reflexivo e real, mas também pelo protagonista e sua força e maturidade. Enfim, Extraordinário faz jus ao título!


Por um segundo, imaginei como seria legal estar ali, no lugar da Via e do Justin, com toda aquela gente aplaudindo de pé. Acho que devia haver uma regra que determinasse que todas as pessoas do mundo tinham que ser aplaudidas de pé pelo menos uma vez na vida. Página: 237. 

Título: Extraordinário (Wonder). 
Autor(a): R. J Palacio.
Editora: Intrínseca.
Número de Páginas: 318.
Avaliação: 5/5 - Favorito.


4 comentários

  1. Parece ser um livro interessantíssimo.
    E o filme também.
    Essa história me lembrou a do filme Marcas do Destino, estrelado pela Cher. São roteiros parecidos e tal. Você conhece?
    Abraços,
    Iza

    http://vintageiz.blogspot.com

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  2. Olá, Renato.
    Eu preciso ler esse livro antes do filem estrear. Eu tenho ele aqui em casa já tem uns dois anos e não sei o porque que não li ele ainda. Acho que vou sentir tanto que estou guardando ele para um momento específico hehe. Infelizmente as pessoas não estão preparadas para alguém diferente. Isso é em todos os lugares.

    Prefácio

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  3. Parabéns pela resenha! Me interessei bastante pela história.

    Até mais,
    Emerson Garcia


    Jovem Jornalista
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  4. Oi, Renato.
    Já tinha visto algumas resenhas desse livro na blogosfera e tinha colocado na lista de desejos.
    Ao ler sua resenha fiquei ainda mais interessado, parece um livro carregado de emoções, drama e superação.
    Vi o trailer do filme e gostei demais.
    Bela resenha.
    Abraços.
    Diego || Diego Morais Viana

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