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23/01/2018

Fonte: Pinterest.


"O que fez Tom Riddle tornar-se o temido Voldemort?", são perguntas como esta que o filme idealizado e criado com a contribuição de fãs da saga HP visam respondem. A produção independente e italiana, de modo geral, é uma releitura do sexto filme da saga, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, onde Gisha Mac Laggen, a herdeira de Grifinória, investiga o assassinato da herdeira de Lufa-Lufa, Hepzibah Smith, vindo a descobrir a existência de magia negra em Hogawarts por meio do envolvimento de Tom Riddle.

O começo do longa é um pouco confuso, principalmente para as pessoas que não possuem tanto conhecimento sobre a saga que o filme é derivado. Entretanto, vale a pena o esforço, pois logo tudo começar a ser esclarecido. A  duração do filme produzido por Stefano Prestia é curta, assemelhando-se a um episódio piloto de séries televisivas, isto é, cerca de 53 minutos. Apesar do pouco tempo o filme não deixe pontas soltas, pelo contrário, conta com cenas claras e objetivas, onde presencia-se o surgimento, ou não, da maldade de Voldemort. Os efeitos especiais também estão muito bons, claro, não se assemelham ao produzidos pela produtora oficial dos filmes de HP, a Warner Bros Pictures, porém são convincentes. Todavia, há alguns pontos negativos, entre eles, a dublagem em inglês, que em boa parte das cenas soa fora de contexto; além de algumas cenas bastante estendidas e consequentemente desnecessárias.



Voldemort: A origem do Herdeiro é um filme totalmente independente e com orçamento de apenas 15 mil euros, faz jus ao título, garantindo respostas para algumas indagações que a saga HP possa ter deixado em aberto. Instiga, ao trazer para as telas, as motivações de um grande e impiedoso bruxo como Voldemort. Ao todo, a obra possui alguns problemas, mas não é ruim. Mantem-se num classificação mediana, deixando no espectador esperanças de que os próximos projetos possam ser mais elaborados.

Assista ao filme aqui:





16/01/2018

Fonte: Pinterest.
Será que é mesmo necessário dramatizar excessivamente a narrativa de um livro ao falar de um tema denso? Em "As vantagens de ser invisível", escrito por Stephen Chbosky, em 1999, vemos que isso não é requisito essencial na criação de uma romance. Muitas vezes seguir outro caminho na construção da história é uma escolha muito mais inteligente e eficaz. O que lemos nesta obra que se passa entre os anos de 1991 e 92, retratando de forma crua e o mais próxima da realidade as vivências de Charlie, o protagonista do livro, um adolescente que começa a cursar o ensino médio e sofre de depressão, doença que já é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) o mal deste século.

O livro é narrado em formato epistolar, ou seja, através de cartas escritas por Charlie e endereçadas ao "querido amigo", uma pessoa anônima, para quem, ele expõe de forma íntima, hilária e devastadora tudo o que vem passando. E, embora em sua primeira carta o adolescente cite o medo de se sentir excluído no ensino médio, aos poucos ele se dá conta do quanto aquele momento poder ser a mudança que tanto deseja em sua vida pessoal e social. Todo esse pensamento se solidifica quando ele conhece Sam, Patrick e demais pessoas que denominam, ironicamente, seu grupo como "ilha dos brinquedos rejeitados". Charlie começa a ter diversas experiências, entre elas, convívio social, primeiro amor, uso de drogas lícitas e ilícitas, brigas e várias outras situações, enquanto lida com seus traumas de infância, além dos dilemas que surgem não só em sua vida, mas nas das pessoas que o cercam.

Chbosky traz também referências musicais e literárias, utilizadas claramente como recomendações para os leitores. A música "Heroes", do cantor e compositor David Bowie, encaixa-se perfeitamente no sentimento compartilhado entre Charlie e seus amigos, a ânsia de se fazer um grande feito, ou como a própria canção cita "nós podemos ser heróis, apenas por um dia". Há também a indicações de livros, entre eles, O sol é para todos, O grande Gatsby e Hamlet, feitas por Bill, professor do adolescente, que acabam contribuindo para sua visão de mundo e senso crítico. 

Mas o que realmente diferencia esse livro das demais ficções juvenis, é o modo como o autor não poupa o leitor das qualidades, defeitos e demais características de cada personagem, mesmo a narrativa contando com apenas um único ponto de vista. Apesar de ser uma história direcionada ao público jovem, As vantagens de ser invisível é o tipo de livro que pode ser lido não só por adolescentes. Afinal, é uma obra rica em frases de impacto e reflexão e, ao mesmo tempo, possui certo grau de humor moderado, principalmente na forma como o protagonista se expressa em determinados momentos. Serve para entreter, ensinar e nos lembrar de momentos complicados da vida. Stephen Chbosky possui uma abordagem madura e atemporal, e isso resulta em um retrato sincero de como um jovem pode tentar se recuperar de eventos traumáticos, visando confrontar a si mesmo a viver. E também prova o poder do amor e da amizade, ao trazer a possibilidade de tirar qualquer um de seus momentos mais complexos e sombrios.

Então, acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas.  Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas. 

Vale ressaltar que esta foi a primeira publicação de um livro de Chbosky. A obra foi aclamada pela crítica, justamente pela forma com descrevia os adolescentes sem estereotipá-los. Esse sucesso levou o autor e roteirista inevitavelmente ao cinema. Foi assim que ele se arriscou na direção de seu primeiro filme comercial que se baseou nesse sucesso literário. A adaptação contou com os atores Logan Lerman (Charlie), Emma Watson (Sam), Ezra Miller (Patrick), tendo seu lançamento em 2012, e também recebeu bastante elogios da crítica mundial, por transmitir de forma delicada uma história tão complexa e inquietante. 

Título: As vantagens de ser invisível
Autor (a): Stephen Chbosky
Editora: Rocco
Número de Páginas: 223
Avaliação: 5/5



14/01/2018

Fonte: Netflix.

Você já assistiu Black Mirror? Ou talvez tenha ouvido alguém usando a expressão: “Isso é tão Black Mirror”? A série é de origem britânica e traz à tona o relacionamento da sociedade contemporânea entre si e a tecnologia. No dia 29 de dezembro de 2017, foi lançada a 4ª temporada, onde foram disponibilizados seis episódios, entre eles: “Arkangel", dirigido por Jodie Foster; "Crocodilo", de John Hillcoat (A Estrada); "Black Museum", estrelado por Letitia Wright (Pantera Negra); "Hang the DJ", de Timonthy Van Patten (Game of Thrones); "Metalhead", de David Slade (Deuses Americanos); e "U.S.S. Callister", paródia de Star Trek dirigida por Toby Haynes (Doctor Who).

A série, de modo geral, continua seguindo um ritmo similar, mas ao mesmo tempo é possível notar mudanças gritantes desta temporada com as anteriores. Aliás, tais mudanças vêm ocorrendo desde a terceira temporada, quando os episódios se tornaram mais esclarecidos e romantizados. Há várias sugestões para o surgimento das alterações, uma das mais mencionadas, é a venda da série para a Netflix, um  dos maiores serviços streaming do mundo, que têm como objetivo alcançar todos os públicos. É de se imaginar que Netflix, ao reparar que a série havia caído nas graças da sociedade, percebeu que a mesma deveria se enquadrar nas necessidades de todos, inclusive dos que preferem um conteúdo de fácil compreensão.

Cena presente no episódio "Arkangel", onde a garota se corta ao tentar enxergar seu próprio sangue, porém sua visão é automaticamente desfocada. 

Comparada com as primeiras temporadas, a quarta não apresenta o mesmo nível de complexidade, porém não é ruim, pelo contrário, possui momentos impactantes e de reflexão, características comuns na série. Mas, a sensação é de que tudo poderia ter sido melhor desenvolvido. Um bom exemplo, é o segundo episódio intitulado “Arkangel”, que apresenta a história de uma mãe (Rosimarie Dewitt), que opta por instalar um sistema de monitoramento em sua filha. O equipamento possibilita que a mulher tenha acesso a tudo o que a criança vê, sente, seu quadro clínico, e até mesmo pode distorcer a visão da garota quando a mesma for exposta a algum tipo de imagem que traga conflito ou a aflição. As ações tomadas pela mãe, por si só, já são dignas de reflexão sobre assuntos como privacidade, liberdade e proteção. Entretanto, por mais que o tema seja interessante, nada de surpreendente ocorre, do contrário, apenas o óbvio: a relação entre a mãe e filha só entram em conflito, quando a criança torna-se uma adolescente e começa a viver as experiências presentes, ou não, nesta fase da vida.

O maior problema encontrado nessa temporada, sem sombras de dúvidas, foi a vinda de técnicas que transformaram o desenvolvimento dos episódios em algo comum e bastante explicativo, fazendo com que a série seguisse um caminho oposto a sua proposta inicial, isto é, um material complexo, chocante e voltado para debates, mas que agora também pode ser visto apenas como um boa fonte de entretenimento.  Outro problema encontrado foi no final de alguns episódios, que foram bastante vagos e corridos. Ao todo, a 4ª temporada de Black Mirror não é boa, muito menos ruim… A palavra-chave é: mediana; não chega a decepcionar, porém não instiga, é apenas um material para consumir e possivelmente esquecer após alguns minutos ou horas. A pergunta que paira na mente é a seguinte: “Isso é mesmo tão Black Mirror?”.

Confira o trailer:


09/01/2018

Fonte: Wander Portela. 


Escrito por Andrew Keen, um dos pioneiros do Vale do Silício, “O culto do amador”, traz seu ponto de vista sobre a Web 2.0, suas preocupações em relação ao assunto, além de pesquisas que passam maior credibilidade aos pontos mencionados por ele no decorrer da obra. 

Narrado em primeira pessoa, o livro faz com que o leitor se sinta em um bate-papo bastante franco e intimista com o autor. Afinal, Keen não se acanha em demonstrar seu posicionamento extremamente negativo sobre a Web 2.0. Mas, apesar disso, o autor explica que em 1990, foi um dos precursores na primeira corrida do ouro da internet, ao idealizar um mundo mais musical e criar o Audiocafe.com, um dos primeiros sites de música digital. Para isso, seduziu investidores e poderia ter ficado rico, porém acabou renunciando à condição de membro do culto do amador. 

Ao ser apresentado a nova atualização da internet, a chamada Web 2.0, Andrew se viu rapidamente contrário a proposta exposta. Ele relaciona a nova internet ao teorema do macaco infinito de T.H. Huxley, um biólogo do século XIX, que afirma que se oferecemos máquinas de escrever para um número infinito de macacos, em algum momento, eles iriam acabar criando uma obra prima; só que nos dias de hoje, com a web 2.0, as máquinas de escrever são agora substituídas por computadores conectados em redes e que ao invés de criarem obras primas esses macacos estão criando uma floresta de mediocridade. Ou seja, a maior acessibilidade à internet e cultura de inteligência coletiva, como a Wikipédia, Youtube, Myspace, entre outros, estão acabando com o nosso senso crítico e nos fazendo consumidores de conteúdos de qualidade duvidosa, e consequentemente nos tornando criadores desses próprios conteúdos. 

“O culto do amador” dispõe de inúmeros elementos reflexivos a respeito da quantidade ilimitada de conteúdos criados por amadores na internet. Menciona o peso que estes conteúdos trazem para a economia, cultura e valores, enfraquecendo a mídia tradicional e as instituições criativas. Também descreve a polêmica possibilidade de anonimato, que é um ambiente convidativo para pedófilos, por exemplo. Vai além, ao citar as possíveis soluções para canalizar a revolução da Web 2.0 de maneira construtiva, entre elas, a criação de sites que competem na melhoria e qualidade de conteúdo que circula na internet, diminuindo a presença de amadores na internet. Citizendium e Joost, são versões melhoradas do Wikipédia e YouTube, feitas e controladas por profissionais, e estão se popularizando na rede, pois oferecem conteúdo interativo e de alta qualidade. 

“Eu chamo isso de a grande sedução. A revolução da Web 2.0 disseminou a promessa de levar mais verdade a mais pessoas - mais profundidade de informação, perspectiva global, opinião imparcial fornecida por observadores desapaixonados. Porém, tudo isso é uma cortina de fumaça. O que a revolução da Web 2.0 está realmente proporcionando são observações superficiais do mundo à nossa volta, em vez de análise profunda, opinião estridente, em vez de julgamento ponderado. O negócio da informação está sendo transformado pela internet no puro barulho de 100 milhões de blogueiros, todos falando simultaneamente sobre si mesmos.”

A obra possui uma carga inquietante e polêmica. Exerce no leitor a sensação de estar em cima de um muro, sem saber qual partido tomar; em certos momentos concordando com boa parte do que é dito pelo autor, já em outros discordando completamente de sua visão tão negativa e extrema do uso atual da internet pela humanidade. O livro é indispensável para os que se interessam pela área de comunicação, crítica geral ou que apenas buscam compreender um pouco mais do mundo ambíguo da internet.

Título: O culto do amador.
Autor (a): Andrew Keen.
Editora: Zahar.
Número de páginas: 207.
Avaliação: 5/0.