Um bate-papo bastante franco e Intimista sobre a internet 2.0, em “O culto do amador”

By Renato Almeida - janeiro 09, 2018

Fonte: Wander Portela. 


Escrito por Andrew Keen, um dos pioneiros do Vale do Silício, “O culto do amador”, traz seu ponto de vista sobre a Web 2.0, suas preocupações em relação ao assunto, além de pesquisas que passam maior credibilidade aos pontos mencionados por ele no decorrer da obra. 

Narrado em primeira pessoa, o livro faz com que o leitor se sinta em um bate-papo bastante franco e intimista com o autor. Afinal, Keen não se acanha em demonstrar seu posicionamento extremamente negativo sobre a Web 2.0. Mas, apesar disso, o autor explica que em 1990, foi um dos precursores na primeira corrida do ouro da internet, ao idealizar um mundo mais musical e criar o Audiocafe.com, um dos primeiros sites de música digital. Para isso, seduziu investidores e poderia ter ficado rico, porém acabou renunciando à condição de membro do culto do amador. 

Ao ser apresentado a nova atualização da internet, a chamada Web 2.0, Andrew se viu rapidamente contrário a proposta exposta. Ele relaciona a nova internet ao teorema do macaco infinito de T.H. Huxley, um biólogo do século XIX, que afirma que se oferecemos máquinas de escrever para um número infinito de macacos, em algum momento, eles iriam acabar criando uma obra prima; só que nos dias de hoje, com a web 2.0, as máquinas de escrever são agora substituídas por computadores conectados em redes e que ao invés de criarem obras primas esses macacos estão criando uma floresta de mediocridade. Ou seja, a maior acessibilidade à internet e cultura de inteligência coletiva, como a Wikipédia, Youtube, Myspace, entre outros, estão acabando com o nosso senso crítico e nos fazendo consumidores de conteúdos de qualidade duvidosa, e consequentemente nos tornando criadores desses próprios conteúdos. 

“O culto do amador” dispõe de inúmeros elementos reflexivos a respeito da quantidade ilimitada de conteúdos criados por amadores na internet. Menciona o peso que estes conteúdos trazem para a economia, cultura e valores, enfraquecendo a mídia tradicional e as instituições criativas. Também descreve a polêmica possibilidade de anonimato, que é um ambiente convidativo para pedófilos, por exemplo. Vai além, ao citar as possíveis soluções para canalizar a revolução da Web 2.0 de maneira construtiva, entre elas, a criação de sites que competem na melhoria e qualidade de conteúdo que circula na internet, diminuindo a presença de amadores na internet. Citizendium e Joost, são versões melhoradas do Wikipédia e YouTube, feitas e controladas por profissionais, e estão se popularizando na rede, pois oferecem conteúdo interativo e de alta qualidade. 

“Eu chamo isso de a grande sedução. A revolução da Web 2.0 disseminou a promessa de levar mais verdade a mais pessoas - mais profundidade de informação, perspectiva global, opinião imparcial fornecida por observadores desapaixonados. Porém, tudo isso é uma cortina de fumaça. O que a revolução da Web 2.0 está realmente proporcionando são observações superficiais do mundo à nossa volta, em vez de análise profunda, opinião estridente, em vez de julgamento ponderado. O negócio da informação está sendo transformado pela internet no puro barulho de 100 milhões de blogueiros, todos falando simultaneamente sobre si mesmos.”

A obra possui uma carga inquietante e polêmica. Exerce no leitor a sensação de estar em cima de um muro, sem saber qual partido tomar; em certos momentos concordando com boa parte do que é dito pelo autor, já em outros discordando completamente de sua visão tão negativa e extrema do uso atual da internet pela humanidade. O livro é indispensável para os que se interessam pela área de comunicação, crítica geral ou que apenas buscam compreender um pouco mais do mundo ambíguo da internet.

Título: O culto do amador.
Autor (a): Andrew Keen.
Editora: Zahar.
Número de páginas: 207.
Avaliação: 5/0.

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14 comentários

  1. Olá, Renato.
    Eu não sei se leria esse livro porque prefiro ler ficção. Mas é um assunto bem interessante a ser debatido. Mas geralmente não me dou bem com esse tipo de livro porque os autores tem a mania de querer impor a opinião deles ao leitores.

    Prefácio

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    1. Olá, Sil. Tudo bem?
      Entendo seu ponto de vista, eu também não sei se teria lido, caso não tivesse sido uma recomendação do professor. Mas, devo confessar que foi uma leitura que realmente me surpreendeu, e que me fez enxergar muito coisa com outros olhos. Claro, que alguns pontos citados pelo o autor não concordo, como disse na própria resenha, porém, acredito que esse tipo de leitura é super válida, pois nos faz pensar sobre o que produzimos na internet.

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  2. Amo a área da comunicação. Fiquei interessada em ler.

    www.mayaravieira.com.br

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    1. Olá, Mayara. Tudo bem?
      Acredito que vá amar! O livro é realmente interessante.

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  3. Gostei bastante da temática do livro. Comunicação e tecnologia sempre chamam a minha atenção.
    Bom final de semana!

    Jovem Jornalista
    Fanpage
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Olá, Emerson. Tudo bem?
      Acredito que vá gostar,viu?! A escrita do autor é fluída e ele usa bases para as críticas, o que é bem interessante.

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  4. Adoro livros em primeira pessoa! Você meio que faz uma amizade com o autor! O livro parece ter um assunto interessante, mas eu não sou muito chegada na area de comunicação, mas minha irmã é! Vou indicar esse livro para ela e seu post para ela ler um pouco da resenha!
    Um beijo grande e muito GORDO
    www.thaissgalbiero.blogspot.com.br

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    1. Olá, Thais. Tudo bem?
      Que bom que gostou. É um livro maravilho, leia um dia, caso tenha a oportunidade. Mostra para a Thami mesmo.
      Até mais.

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  5. Olá! Tudo bem?
    Não conhecia o livro, mas o achei bem interessante.
    A Web de hoje em dia é sempre um tema que é pouco abordado.
    Obrigada por comentar em meu blog.
    Volte sempre! :3

    Bjo,
    miiistoquente~

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    1. Olá, Thamiris. Tudo bem?
      Que bom que gostou da resenha, o livro é realmente interessante.

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  6. Olá,
    Gostei da abordagem e creio que daria uma chance.
    Poxa, a internet faz parte do meu dia há vidas hahaha.
    Putz, cheguei a usar MySpace, mas não me dava bem. Achava mais problemático do que tudo, porque era horrível de carregar aqui e ajeitar o layout haha mas era bacana pra descobrir música.

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

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    1. Olá, Nana. Tudo bem?
      A internet também faz parte do meu dia a dia, e eu fiquei bem chocado ao lê o livro, mas por outro eu também concordei com muita coisa dita no mesmo. Acho que é o tipo de leitura para refletir, sabe? É ótimo!

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  7. Nossa, achei bem interessante!!
    Eu também usei Myspace por um tempo, mas era bem chatinho e complicado de mexer mesmo :(

    http://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Val. Tudo bem?
      Que bom que gostou da resenha.

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